Raly Barrionuevo, com ou sem chacarera


Escutei este loco pela primeira vez no festival de Cosquín, na Argentina. Não me impressionou naquele show: bem elétrico e cheio de reggaes. Mas fui escutar uma coletânea com seus grandes êxitos e encontrei canções formidáveis, em ritmo de zamba e chacarera. Depois cheguei a um disco de um show coletivo, La Juntada, em que o cantautor santiagueño divide vocais e temas com seus conterrâneos Peteco Carabajal e Duo Coplanacu. E no meio de músicas bem folclóricas, chamaram-me atenção de novo as deste loco, por serem mais contemporâneas.

Falo de Raly Barrionuevo, que lançou recentemente o nono disco da carreira, Rodar. E parece que ele tem sido criticado por ter incluído apenas uma chacarera no repertório, o que poderia significar um abandono às raízes. Mas li que o compositor se defende dizendo que sem a base folclórica, não seria possível ter criado as novas baladas.

Tenho que concordar com Raly. Sua música é híbrida. Tem influência folk norte-americana (ou seria de León Gieco?), caribenha (ou seria de sua produtora cubana Yusa?), folclórica argentina (ou seria de sua leitura sobre as raízes?). É difícil delimitar de onde vem as referências. E este é um bom sinal, pois aponta no sentido da originalidade.

No disco anterior, Radio AM (2009), ele havia prestado uma homenagem a artistas que o influenciaram ainda na infância. Com uma formação fixa de músicos nos arranjos, atualizou clássicos como a valsa Pedacito De Cielo. Agora volta à veia criativa contemporânea, sem amarras, nem mesmo à sua própria trajetória. Ganhamos todos. Siga em frente, Raly!

Abaixo, clipe tri bonito de uma das faixas do novo disco.


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