Que será folclore para os hermanos?

Como estudante da cultura sul-rio-grandense de influência gauchesca, estou ávido por desbravar o território argentino em busca de indícios sobre o ethos gaucho das gentes que estarão participando do 49º Festival Nacional de Folclore de Cosquín.

Quando chegarmos àquela cidade no próximo dia 24, aguçarei minha habilidade de observar o outro, livre como querem alguns etnógrafos, mas com escolares instrumentos de interpretação. Minha principal curiosidade é comparar o fenômeno gauchesco brasileiro às manifestações argentinas ligadas ao folclore.


De saída, pesquisei brevemente alguns discursos na internet e posso elencar algumas peculiaridades, já comparando ao gauchismo do Rio Grande do Sul:



1. A origem do chamado folclore argentino é similar ao sul-brasileiro, provido pela catalogação de estudiosos como Adán Quiroga e Juan Bautista Ambrosetti, no final do século XIX.


2. Alguns hermanos diferenciam o folclore, danças folclóricas tradicionais, ou de raízes folclóricas, da Projeção Folclórica, que seria um fenômeno mais contemporâneo de adaptação e recriação artística com inspiração folclórica. Outros rejeitam esta ideia em nome de um purismo que se assemelha ao discurso tradicionalista daqui.


É notável que o termo projeção folclórica nos é um tanto estranho nesta nossa cultura de dizer tradição, tradicionalismo e folclore. Já arrisco, cheio de vontade de errar na hipótese após o trabalho de campo: a projeção folclórica é um simples conceito, ou gênero, para maior parte dos argentinos. Enquanto para nós, é um cruz-credo-deus-o-livre: ou seja, tudo o que os regulamentos dos aiatolás da tradição abominam.


3. Na Argentina, mesmo tendo origem regional, da região do Prata, o folclore gauchesco é evocado como cultura nacional, ao lado do tango. Por aqui, é sinônimo de regionalismo e ai de quem colocar no mesmo saco que o samba!


Tomara que eu esteja errado...


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