León: la decepción

A minha grande atração do Festival de Cosquin foi uma decepção. León Gieco (foto abaixo) subiu ao palco com outras intenções diferentes da música. Primeiro tocou duas canções especialmente para um programa de televisão, lendo as letras. Depois trouxe ao palco crianças com deficiência, que são musicistas e participaram de um filme que León irá lançar este ano, o qual estava promovendo no espaço do festival. O resultado foi midiático, de apelo emocional, mas de pouca música.

Na mesma noite, uma grande revelação roubou a cena (nem mesmo Teresa Parodi chegou a empolgar). Joel Tortul, um pianista jazzista que se apresentou ao lado de um baixista e um baterista, interpretou entre outros temas, claro, Astor Piazzola. De leveza e descontração ímpares. “Levantou a galera”.

Talvez um dos melhores shows do dia 29 tenha sido, para mim e para o público, o do Dúo Coplanacu (foto abaixo). Os dois velhos grisalhos e melenudos trouxeram ao festival suas composições baseadas em chacareiras e zambas, acompanhados de quarteto de cordas e de percussão. Foi melhor porque teve a raiz forte que se pede no festival, e foi um show bem pensado, bem produzido, de competência técnica que saltou aos olhos.
Outra surpresa foi o grupo Arbolito y La Chilinga (foto abaixo), um Jethro Tull castelhano, de acento inca. São uma banda de rock com dois flautistas virtuosos. Mais um grupo híbrido, entre os tantos que já vi e me agradaram nesta festa. Na noite anterior, não fui ao Escenário Atahualpa Yupanqui. Fiquei em casa assistindo pela televisión. Os companheiros que foram contam que teria sido a noite de menor público. Vi shows mornos, com o famoso Victor Heredia demorando-se mais de uma hora em canções românticas, que levavam solos de guitarra distorcida, o que lhe deixavam mais brega ainda. Vale destacar do resto apenas a dupla Rudi y Nini Flores, e talvez o tocador de harmônica Franco Luciani, que começou com umas baladas entediosas mas que se recuperou reproduzindo arranjos de bandoneón em seu limitado instrumento.

Hoje teremos La Sole, a Soledad, um dos maiores nomes da nova música Argentina. A cantora revelou-se no próprio palco de Cosquín quando adolescente. Sua presença na programação atualmente é forte apelo de público.

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