João Carlos Tiburski não nadou em linha reta


Chamávamo-lo carinhosa e respeitosamente de Tiba. Tínhamos as orelhas puxadas pela alcunha de jacarés, genericamente como alunos. Seu escaninho na Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo (RS) continha um adesivo escrito João Carlos Tiburski. Amanhã em sua lápide os três nomes serão acrescidos das datas de nascimento (por volta de 1950) e morte (em 2011).


Como mestre ensinou-nos sobre jornalismo e sobre a vida, muito mais em noitadas no Boka Lanches do que nas salas e laboratórios da academia. Foi principal inspiração para que eu e meu amigo e colega Daniel Bittencourt criássemos um periódico independente e atrevido batizado de Cadafalso, para deleite do mestre e horror do conservadorismo local.

Nossa dupla de focas recebeu de seu humor bukowsquiano o apelido de faísca e fumaça, em referência àquele desenho animado que os jovens estudantes de comunicação hoje não fazem ideia do que se trata.

Seu principal ensinamento para mim foi uma teoria repetida nos corredores da FAC e nas bebedeiras por aí, de que há dois caminhos a se seguir profissionalmente. O primeiro é uma linha reta, no qual você escolhe o futuro e corre atrás dele voraz e impiedosamente, ultrapassando obstáculos, até alcançar suposta plenitude. O segundo é formado por linhas curvas, em que o sujeito leva valores, encontra paixões e encara novos desafios pela vida afora, aproveitando as esquinas e os tropeços, com serenidade e firmeza, até que encontre por acaso uma placa de luz vermelha na beira da estrada onde se lerá: fim.

Foto de Cláudio Tavares, para o blog Santa Saliência.

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