Veleiro gaúcho chega aos Açores


O veleiro gaúcho Entre Pólos, que zarpou de St. Maarten, no Caribe, chegou nesta quarta-feira no arquipélago dos Açores, completando a primeira fase da travessia do Atlântico Norte. Tripulado pelo empresário Ademir de Miranda, pelo engenheiro João Pedro Wollf e pelo professor-pesquisador da UPF Tau Golin, o barco sofreu algumas avarias durante os 15 dias de navegação oceânica. O enfrentamento de uma tempestade resultou no rompimento de um carrinho da escota, cabo de manobra da vela de proa, e da ponteira do “burro”, peça de retração da retranca da vela grande, fixada no mastro. Ventos fortes também arrancaram parte do trilho do pau-de-spy, suporte que mantém a vela de proa aberta em vento de popa. Os consertos foram realizados provisoriamente pelos navegadores sem a necessidade de interromper a singradura.


Na ilha de Faial, onde Wollf desembarcou, Ademir de Miranda e Tau Golin estão preparando o veleiro para rumar a Portugal, depois de documentarem lugares relevantes para a história da navegação também nas outras ilhas, a exemplo de Santa Maria, São Miguel e Terceira. Até o momento percorreram 2.280 milhas náuticas (4.222 km). Quando atracarem em Lisboa serão mais 912 milhas náuticas (1.689 km), em uma estimativa reta. Entretanto, a rota é intensamente congestionada por navios que operam nos portos da Europa.


A rota de navegação do Entre Pólos assemelha-se, com diversos pontos de intersecção e aproximações, a de Cristóvão Colombo, primeiro europeu a percorrê-la. De 16 de janeiro a 16 de fevereiro de 1493, Colombo, no retorno do descobrimento da América, partiu do Caribe, onde havia chegado a partir das Canárias, na costa africana, e, após percurso tumultuado por tempestades e desvios de seu plano de navegação direto a Espanha, chegou aos Açores. Levou 30 dias. Depois zarpou para o continente, aportando em Cascais, próximo a Lisboa, quando se anunciou a sua surpreendente façanha, abrindo um novo capítulo na história da civilização.


Contando com recursos modernos, Miranda – proprietário da embarcação -, Wollf e Golin fizeram a travessia até os Açores usando instrumentos de meteorologia e navegação eletrônicos como plotter, com a carta náutica do Atlântico Norte conectada ao satélite, rádio USB para fax meteorológico, rádio VHF de comunicação, Navtex para mensagens sobre o mar, radar, três GPSs e piloto automático. Três placas solares e um eólico alimentam o banco de baterias para gerar energia ao veleiro.


Nos ventos fracos, o motor de 56 HP, quatro cilindros, auxiliou as velas. O diesel era suficiente para um terço da travessia.


Entretanto, essas tecnologias não eliminaram as dificuldades da vida a bordo. Os humores do oceano são radicais. As tempestades são alternadas por prolongadas calmarias, nas quais o barco fica literalmente boiando, para novamente ser submetido a todos os tipos de ventos.


Nos instantes em que o mar se encontrava demasiadamente mexido, a alimentação nem sempre era possível. O cozinheiro de plantão ia ao balanço, encostado à parede, como um equilibrista de fogão. A preocupação com a água doce sempre é a mesma desde o tempo das caravelas. Na travessia, os tripulantes do Entre Pólos tiveram que racioná-la. Usaram-na em banhos rápidos a cada dois dias na primeira semana e, ao final, apenas para a higiene de “canequinha”. Assim mesmo os tanques secaram na véspera da chegada, quando tiveram que recorrer ao estoque de água mineral. Expostos ao frio e a umidade no convés, suportaram temperaturas baixas à noite e, em muitos momentos, a chuva.


Confira mais informações sobre esta navegação em breve aqui neste blog.

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