Teixeirinha, o caubói

Um homem montado a cavalo tangendo rebanhos, semibárbaro, com pouco verniz no 
trato social, macho, heróico, tenaz, bravo, que sabe usar armas, indisciplinado, pronto para 
suportar o sofrimento, e que adquiriu um status de nobre selvagem. Esta descrição serve 
muito bem ao mito do gaúcho. Mas é literalmente a caracterização que o historiador Eric 
Hobsbawm (2013) fez do mito do caubói norte-americano, exaltando similitudes com suas 
versões internacionais, a exemplo dos cossacos das estepes do sudeste europeu, e dos gauchos 
das planícies do Cone Sul da América Latina. 

Com esta provocação inicio artigo acadêmico apresentado na 11ª Jornada de História Cultural (ANPUH-RS) e publicado na revista Revista Latino-Americana de História (PPGH-UNISINOS). No trabalho, trato da contribuição determinante do longa-metragem Gaúcho de Passo Fundo, produzido e estrelado pelo cantor Teixeirinha, para a edificação da representação gauchesca na cidade.

Acesse aqui a revista.

Entendendo o processo de produção deste feito icônico, em 1978, pode-se ilustrar uma prática recorrente até hoje, em que poder público e mídia utilizam e postulam o gauchismo como a representação legítima de uma cidade situada no norte do Estado do Rio Grande do Sul, onde não viveu o tipo sociocultural do gaúcho, registrado por pesquisadores na região do Pampa, ao sul.

Esteticamente, Gaúcho de Passo Fundo pode ser classificado como um filme de faroeste. A bricolagem que sustenta o enredo do filme de Teixeirinha se estende a monumentos nas praças da cidade, rodeios, festivais de folclore e projetos de promoção do turismo, em nome de um gauchismo inventado e sem sustentação histórico-cultural. 

Leia aqui o artigo na íntegra.

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Teixeirinha Bangue-Bangue

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