Zelito, o criador de música


Cheguei numa terça-feira do ano passado no Dhomba em Porto Alegre, pra mais uma noite de Clube da Esquila. Vinha de Brasília pra beber da música nativista de vanguarda que tocam naquele bar. Sabia que escutaria Pirisca Grecco, Texo Cabral e companhia. Mas pra minha surpresa, estavam lá também o poeta transcendental Cabo Déco e o “criador de música” Zelito. Denomino-o “criador” neste texto porque fui repreendido quando o chamei de violinista. E aprendi vendo-o tocar que não existe melhor denominação para artista desta marca.

Poderia ter ficado melindrado com a repreensão de Zelito logo fomos apresentados. Disse eu: “- Prazer em conhecê-lo, tu que és o cara do violino, então?” E Zelito de pronto respondeu: “- Não sou violinista, o que me interessa na música é criar, de todas as formas possíveis”. Mas tive presença de espírito e compreensão para replicar: “- Então temos algo em comum, pois eu também gosto de criar”.

Naquela noite o cara tocou violão e violino ao lado dos anfitriões da Comparsa Elétrica, cantou músicas suas e acompanhou o ícone Sérgio Rojas no contrabaixo. A criatividade de Zelito não cabia em uma canção apenas, invadia o palco de tanto em tanto e conquistava o público da Cidade Baixa.

Vindo de Santo Antônio da Patrulha, com a performance daquela noite, pra mim já havia informado que estava ali um grande artista. Então o reencontrei no Festival da Barranca em São Borja, na Páscoa deste ano. Nas tertúlias livres e rodas alternativas, foi sempre atração, mostrando novas invenções e acompanhando todos que puxassem uma melodia. Conquistava mais e mais parceiros de música, com fina improvisação e conhecimento harmônico. Pra mim, foi a consagração.




Enquanto não encontramos Zelito por todos os lugares onde se apresenta, podemos ouvi-lo no YouTube, em vídeos como o postado acima, em que mostra uma de suas composições de voz e violão. Abaixo, segue uma performance ao vivo, ao lado do argentino Pablo Grinjot, com quem toca esta noite na cidade natal.


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