Obama superstar


Barack Obama já é o primeiro presidente norte-americano negro. As eleições não aconteceram, mas a mídia já o legitimou como tal, perante a opinião pública internacional. É impressionante como age a máquina do marketing político. As prévias do Partido Democrata serviram de processo de legitimação de um desconhecido que se tornou a terceira via, a solução, incorporou a esperança e a mudança no horizonte. Obama alcançou o olimpo hipermoderno e foi transmutado superstar.

Efetuando uma análise midiática, que considera o marketing político na construção de candidatos, como imagens a serem consumidas – lógica da qual os Estados Unidos são expoentes -, chega-se fácil a uma só conclusão: o republicano McCain representa o velho, o conservador e o perigoso (imagem que já queimou a fita do país bastante nos últimos anos de administração Bush). Obama é o contrário. O que não significa necessariamente que eles de fato irão aplicar em forma de política o que eles representam, caso eleitos. Analiso apenas seus “santinhos eletrônicos”, ou seja, suas esfinges enquanto candidatos.

Amazing product
O que os EUA fazem de melhor no mercado mundial, exportando e dominando em massa? O cinema! Grande produto de exportação e propaganda deles. A ideologia neoliberal, o consumismo e a cultura da felicidade espraiaram-se mundo afora. E os filmes holywoodianos foram determinantes. Agora, em uma época de crise estrutural política, acompanhada de uma crise de imagem, em que o atual presidente para muitos é a encarnação do diabo, qual a solução? Qual o produto ideal? Respondo: um presidente negro, de origem modesta, com discurso contra a invasão e ocupação do Iraque.

Explico por partes. Por que negro? Porque representa os desfavorecidos, as minorias, que se levantam nos EUA hoje como maioria, mas que não acenderam a um posto tão alto na política (ainda). No mundo, também gera aceitação, diante da enorme diversidade étnico-cultural. Por mais que a revista New Yorker ironize em sua edição julina, vestindo Obama de muçulmano em uma caricatura, sua aceitação para os eleitores conservadores norte-americanos deverá dar-se sem histeria.

Mas uma certeza está posta: ninguém poderá acusá-lo de manter negócios familiares com algum terrorista que venha a destruir torres gêmeas. Eis o trunfo de sua origem modesta. Pois a trajetória acadêmica de Barack Obama lhe presta virtudes românticas e insuspeitas.

E a cereja que dá o toque final ao bolo é o discurso (aqui considerado como parte da imagem). Anunciar mudanças políticas centradas nas questões energéticas, ambientais e geopolíticas, é tudo que o eleitorado e a opinião pública internacional queriam ouvir. Ele promete retirar as tropas norte-americanas do Iraque. Promete reduzir as emissões de CO2 na atmosfera e estimular a sustentabilidade com outras matrizes energéticas. Ora! Alguém duvida que um dia estas ações serão postas em prática? Eu não duvido pela simples razão de que são pautas urgentes, para o bem do próprio EUA. É fácil prometer desenvolver tecnologias alternativas ao uso do petróleo quando suas reservas nacionais estão acabando. É fácil prometer diminuir as emissões de CO2 quando a comunidade internacional está pressionando. Também fica lindo defender o meio ambiente quando se está na moda.

Portanto o discurso de Obama é óbvio. É uma redundância. É um standard de propaganda. Torna-o um produto irresistível a ser avidamente consumido. Os republicanos estão perdendo tempo. Seus candidatos são como vender suco de beterraba em festa infantil, e na terra da Coca-cola.

The Barack Obama Experience
Obama está devidamente embalado para compra. Vide a capa da revista Rolling Stone do mês de julho. Estão ali todos seus apelos de campanha reunidos, representados por signos ou implícitos na propaganda massificada internacionalmente, em mais de seis meses que as prévias democratas proporcionaram. Há um homem negro, há bótom patriota da bandeira dos EUA, há gravata azul-tranqüilidade, há sorriso simpático e a marca de uma das revistas mais famosas do mundo, ligada ao despojamento e à louvação da cultura do império hipermoderno. Apesar de conter marcas de expressão e alguns cabelos brancos, falta o que seus adversários mais exaltam: a experiência. Mas pergunto: quanta experiência acumula um guitarrista de rock até que venda milhões de cópias?

Resumindo: temos um presidente superstar. Vai comprar?

Veja um vídeo no You Tube sobre este tema:http://www.youtube.com/watch?v=XaTgKSocQTw

Este texto também pode ser acessado no site http://www.bondbusca.com/coluna_social.php?icl=7

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