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Sítios arqueológicos e arquitetura do início do século XX: Está na hora de mudarmos nossos conceitos de turismo

Ando reavaliando meus conceitos de fazer turismo. Aos poucos vou deixando de lado a kodak que tira fotos em movimento, sem descer do ônibus da excursão. O que estou tentando fazer agora é abrir um tripé no meio da avenida mais movimentada do local e curtir capturando cenas. Chega de ter medo de interferir na paisagem!

Está na hora de mudarmos nossos conceitos de turismo. É difícil. Ainda mais se formos acometidos de certas fobias sociais, preferindo mesmo ver todas as atrações na pressa, sem perder tempo e correr risco de ter que falar com alguém, talvez em um idioma estrangeiro. Neste caso recomenda-se uma visita virtual ao mais famoso museu da Europa, sem sair de casa e sem gastar um tostão. Basta clicar o mouse e navegar na Internet.

Com um breve autoquestionário “tabajara”, podemos verificar o grau de benesses que a sua última viagem de pretensões turísticas lhe rendeu. Responda a si mesmo: como era a calçada das ruas em que pisou (a pergunta não é válida para quem visitou Copacabana). E o céu? (não vale pra quem foi a Londres ou São Paulo). E com quantas pessoas você bateu um papo até a madrugada? Agora, a indagação derradeira: o que você aprendeu, além do que está nos guias e revistas de turismo?

Última viagem
Crente de que estou avançando na experiência turística, vou contar-lhes humildemente como foi minha última viagem. Estive visitando sítios arqueológicos que preservam vestígios do que seriam habitações de povos indígenas. Para chegar lá, embrenhei-me no mato em uma longa caminhada. Lá, eu pude entrar em “casas” subterrâneas que abrigavam homens há mais de 500 anos!


No mesmo passeio, no mesmo dia, mas sem muita pressa, visitei uma vila de descendentes de italianos que conserva boa parte de suas edificações em bom estado. No local pudemos parar para conversar com moradores e se sentir há um século atrás.

Nesses pontos turísticos, tive que caminhar e entrar em contato, ora com a natureza, ora com as pessoas. Em lugar algum havia placas indicativas e muito menos mapas ilustrados. Apesar de seguir um cronograma com guia turístico, foi uma viagem que rompeu com o simples estar e olhar, comum em excursões “empacotadas”. Pois lá não havia museus, nem lojas de souvenires. E isso não fez falta!

Onde?
Não vou encerrar o relato de viagem, sem antes revelar em que lugar exatamente eu estive. Lá vai: em Casca! Essa cidade aqui do lado, a 65km de Passo Fundo. Pode o leitor ter se abismado, talvez por nunca ter ouvido falar de suas atrações. De fato, a “indústria do turismo” não explora ainda o município.

Os sítios arqueológicos que falei revelam a cultura dos índios Jês e estão dentro de propriedades particulares, onde se permite a visitação. Apesar de Casca não ter ainda um museu antropológico para expor peças encontradas na região, o que seria muito importante, a experiência de visitar o local vale mais que olhar qualquer peça em exposição. Os simples “buracos” de até 16 metros de diâmetro que vi, na verdade, já foram construções de instigante engenhosidade.

Já a vila de italianos é a Vila Evangelista, situada também em Casca. Estudiosos explicam que a preservação das casas da época da colonização deu-se por o lugarejo não ter se desenvolvido economicamente, ficando à margem da urbanização. É uma vila que “parou no tempo”. Preocupa inclusive que ela possa se tornar uma cidade fantasma daqui alguns anos, pois os atuais habitantes já estão em idade avançada e seus filhos não moram mais lá.


Nos últimos tempos, tem-se avaliado o potencial turístico de Casca. O município já tem até curso superior na área. Mas não foram feitos ainda investimentos no sentido de explorar economicamente os lugares-atrações como os que visitei. Aqui não vou entrar no mérito do debate entre turismo e cultura, mas penso estar contribuindo para a questão com o relato da experiência que tive.

Para quem se interessou na tentativa de mudar a própria concepção de turismo, eis uma dica: Casca é logo ali! Só não vá vestir uma camisa florida e ser refém da kodak.

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