Bigodes, carecas e dreadlocks são tri fotogênicos - projeto GEMA

Projeto Gema registra pluralidades musicais do Rio Grande do Sul em multiplataforma
Se há apenas um canal de comunicação hegemônico, onde “a gente se vê”, tendemos a enquadrar nele somente uma face de nossa pluralidade cultural. Fizemos muito isso durante o século XX. Agora, em rede e multiplataforma, as limitações de conteúdo ficaram no passado.

Por que seguir retratando a região onde vivemos sob ótica seletiva? Não precisamos apenas simbolizar nossa arte num bigode. Cabelos longos, carecas e dreadlocks também são tri fotogênicos.

Neste mês de setembro, teremos a oportunidade não só de revisitar a afirmação bigoduda gauchesca com toda a força midiática possível, à qual estamos habituados desde os anos 1980. Para além disso, o projeto Gema começa a lançar na internet, propositadamente em setembro, dez documentários curtos que indicam uma pluralidade de tradições musicais no Rio Grande do Sul.

Acesse aqui o site do projeto Gema.

Dez é pouco para abarcar inúmeras manifestações que passam de pai pra filho pelos diversos cantos do estado. Dez é muito para demonstrar o quanto estamos perdendo desde que escolhemos apenas uma tradição para nos representar.

Os cabelos longos dos guaranis não são os mesmos da galera do rock. Os bigodes dos alemães não são os mesmos do Guri de Uruguaiana. As carecas dos gaiteiros gringos não é a mesma da gurizada da produção do projeto Gema. Os dreadlocks do samba rock não são os mesmos dos quilombolas do Ibicuí. Mas todos eles formam um imenso tufo de pelos. A cultura musical sul-rio-grandense é mais peluda do que podemos imaginar. E se repararmos bem nos aparatos à disposição, não faltariam múltiplos canais para sua ampla exposição.


Bela e pioneira iniciativa neste sentido, o projeto Gema irá disponibilizar vídeo-documentários na internet, além de uma revista impressa com fotografias e informações sobre dez manifestações da música tradicional do Rio Grande do Sul. Quem tiver contato com este material não irá confirmar ou ampliar o que já sabia sobre parecer e ser gaúcho (aqui no sentido gentílico). Os produtores prometem envolver-nos nos silêncios dos guaranis, no apego a certo nativismo do mestre do suingue Luís Vagner, na religiosidade corporal de músicas de ascendência afro, na originalidade da bandinha alemã que não existe igual na Alemanha, entre outras manifestações pouco conhecidas pelo que costumávamos chamar de "grande público".

Leia aqui sobre o início do projeto:
GEMA – série multimídia quer jogar luz na diversidade musical do RS

A experiência da equipe também está sendo compartilhada no site do projeto. São tempos de linguagem tipo reality show. Por meio deste tipo de conteúdo, poderemos acompanhá-los, por exemplo, na incursão por uma aldeia Mbya Guarani, em que se instalaram, jogaram futebol, tomaram chimarrão e conversaram bastante para compreender a música daquela localidade, baseada no cotidiano, no trabalho e no ritual.


Também tem exclusividade histórica. Entre os dez vídeos, está o registro do último show do grupo de baile Eco do Minuano e Bonitinho em Porto Alegre, que logo após as gravações anunciaram o fim das atividades. O líder, o guitarrista Bonitinho, revela no documentário sua formação, seu suingue nas guitarradas e a filiação confessa à música popular brasileira.

Não se trata de um pretenso inventário atualizado da tradição. Não. O projeto Gema trata de assumir a pluralidade e espraiar a musicalidade de quem se autodenomina gaúcho e rola um som de diversas formas.

O primeiro doc está disponível aqui:

O segundo episódio é sobre o guitarrista Bonitinho:

Terceiro episódio sobre o Maçambique de Osório:

4º episódio da série é sobre remanescentes de quilombo:

5º episódio mostra a bandinha alemã Goela Seca:

6º episódio, Adelar Bertussi conta porque iniciou a carreira em São Paulo:

Antônio Carlos de Xangô é tema do 7º episódio:


Suingue e balanço de Luis Vagner, dando um show de simpatia e improviso no 8º episódio:

O 9º episódio é sobre um dos grandes sambistas em atividade no RS: Mestre Paraquedas:

Último episódio da primeira temporada é com Mestre Renato, grande nome do Terno de Reis:

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