Um blógue pra se navegar sem gritar

Tentando a mesma irreverência, parafraseio no título deste post uma das músicas destacadas na última edição da Califórnia da Canção Nativa (36ª), com intuito de comentar a incursão do cantor de milongas que não grita na rede mundial de computadores.

Refiro-me a Pirisca Grecco (mais uma vez!), que tem ampliado sua habilidade de nos mobilizar como fãs, invadindo nossa rotina diária frente aos monitores que hoje são extensão do corpo (como fora o cavalo um dia dos caudilhos); e à música “Milonguita pra se cantar sem gritar” (letra: Silvio Genro, música: Pirisca/ Duca Duarte).

Pilha
O bruxo do nativismo iniciou um blog há menos de um ano. Para navegá-lo, basta clicar no menu principal do seu site: www.pirisca.com.

Seria mais um blog pessoal dentre os inúmeros que habitam o mundo da conexão imediata. Mas é único na sua linguagem e revela um cotidiano nada convencional. Por isso, destaca-se.

Começou quando Pirisca foi à Europa em julho de 2009 e se mantém com histórias das viagens que o músico faz pelo Rio Grande com seu grupo Comparsa Elétrica, cantando cada semana em uma cidade diferente. Além de divulgar suas proezas artísticas, diverte seguidores, com comentários sagazes.
Encontro de gerações: Pirisca e Airton Pimentel

Como “jornalista de si mesmo” o músico esbanja criatividade e faro para eleger as informações mais pertinentes ao veículo de comunicação que edita. O grande feito do blog é transferir para o campo comunicacional mediado a espontaneidade que faz do Pirisca o catalisador da nova geração nativista.

Manivela
Quem imaginaria cena ímpar como esta:
Um dos principais nomes do circuito de festivais do Rio Grande do Sul extrapolando os palcos dos festivais e os meios de comunicação que marcaram o século XX e o movimento Nativista (jornal, rádio e TV).

Dado o regionalismo forte no estado, deveria emergir um estranhamento estilístico, promovido pelo encontro do gauchismo, que remete a um tempo passado e rural, com um dos motores da realização do futuro virtual. Mas não vejo com estranheza tal fenômeno e ainda o celebro. Significa uma continuidade do movimento em que os artistas sul-rio-grandenses se afirmaram gaúchos pelos palcos do interior, valendo-se de ampla cobertura midiática, protagonizada pelo rádio e pela televisão nas décadas de 1970 e 1980. Hoje, relegada ao plano mais independente, a música nativista encontra na internet espaço para manter acesa a chama do cantar criativo regional.

Vela
Quando adolescente, minha geração perguntou:
- Pai, que música toca nestes vinis empoeirados?
E fomos iniciados no nativismo ouvindo os LPs da Califórnia.

Quando nossos filhos chegarem à idade em que terão interesse musical, irão perguntar ao ouvir no nosso iPod “Miloguita pra se cantar sem gritar”:
- Pai, esta música eu conheço, é do Pirisca Grecco, um blogueiro que eu curto.
E a chama manter-se-á acesa.

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