Saudades do rincão


Fico sensibilizado nesta época, em que a Semana Farroupilha se estende por todo o sul do Brasil e não respinga uma gota de seus temporais intermináveis aqui no centro do país. Quedo-me seco, sem ouvir uma acordeona gritona que vare a madrugada, ou uma criança que declame afoita com voz pequena e empostada com a ajuda dos braços de gesticulação ensaiada.

É estranho passar em branco o mês de setembro no quesito bagualice. Aqui de Brasília, tento aguçar os sentidos para sentir algum cheiro de bosta de cavalo, em vão. O que consola é lembrar que o espírito farrapo nos acompanha onde se ande, apesar da falta do circo para desempenhá-lo.

Entonces, ligarei meu laptop pra baixar uma vanera na mula virtual, obrigando os vizinhos da quitenete a cultivarem a tradição musical. Vestirei alpargatas pra andar no asfalto e bombachas novas pra brigar na portaria de algum tribunal. Também fincarei um espeto, pra ensinar o povo a assar carne como manda a cartilha, no canteiro do Eixo Monumental.

Findo o domingo e passado o lapso de gauchismo, voltarei apenas a tomar chimarrão e a falar tu, para vocês.

Obs.: a ilustração é do amigo Marceleza (saiba mais aqui).

Postagens mais visitadas